Querida Guitarra
quarta-feira, outubro 25, 2006
  O que fazer numa sexta-feira à noite?
A maior parte dos meus clientes, bem sei, já estão olhar, uns para os outros, com ar estupefacto e a exclamar "imperial e cigarros?!... du-uh". Mas, meus amigos, há vida para além dessa letargia. Acreditem. E a cirrose não é coisa por aí além, assim como as infecções pulmonares. Quando os vossos brônquios apodrecerem e caírem, hão-de pensar "epá, o Guitarrista tinha a sua razão".

E agora, aqui vai uma ajudinha para deixarem essa vida sedentária (para aqueles que gostam daquele determinado lugar, naquele determinado balcão) ou nómada (para os que gostam de bater as tasquinhas todas). Dou-vos duas palavras: TV Rural e Restart (por acaso não sei se TV Rural é uma palavra... hummm... deve ser mais). Para os que já estão a imaginar o glorioso e ansiado regresso do Engenheiro Sousa Veloso, fica mais uma dica: ó totós, o Sousa veloso era aos domingos de manhã, não ao sexta à noite.

Vá lá, eu não vos faço esperar mais. O plano é o seguinte:

 
terça-feira, outubro 17, 2006
  Feromonews
Diz que eles têm singuéis novos.


 
sexta-feira, outubro 13, 2006
  Tenham medo...
1. Diz que anda aí editora nova. Hummm... Eu se fosse a você, caro leitor, clicava primeiro. Nunca fiando.



2. The Killers. Vítor Belânciano, do Y, classifica com 1, numa escala de 0 a 10, o álbum Sam's Town destes americanos aparentemente inofensivos - pelo menos, até à data. Acredito que um álbum rock possa ser mau. Mas... 1?! Se eu fosse a você, caro leitor, ouvia primeiro. Nunca fiando.
 
terça-feira, outubro 10, 2006
  Vale sempre a pena
Perguntem a um actor se todos os dias lhe apetece andar aos beijos à Floribella. Perguntem a um pintor se todos os dias lhe apetece gatafunhar, gastar balúrdios em óleos, telas e pincéis, para parecer abstracto. Perguntem a um cangalheiro se todos os dias lhe apetece enterrar uma vítima da sinistralidade rodoviária. Perguntem a um advogado se todos os dias lhe apetece contornar verdades e moldar factos. E a um engenheiro se todos os dias lhe apetece fazer riscos sempre a direito. A uma professora de português que eu tive no 11.º se todos os dias lhe apetecia ser apalpada. A um camionista se a cada santo dia lhe agrada a ideia de atravessar a Espanha ou a França. Perguntem a um médico se está sempre cheio de pica para aturar a brigada da artrose num banco de urgências da província, que ainda por cima agora vai fechar e ele vai ter que vender a vivenda "O nosso sonho" e um rim do filho mais velho para pagar o externato do mais novo nos subúrbios da capital. Vá, perguntem. Perguntem ao trolha se anda sempre doido por acartar baldes de massa, andaime acima. E ao polícia se não lhe doem as mãos, às vezes, de escrever as matrículas dos carros. E aos GNR's dos arredores do Porto se não se cansam, mais cedo ou mais tarde, de fazer tiro ao adolescente. E aos cientistas, perguntem-lhes se não se fartam nunca de olhar para as bolhinhas dentro dos tubos de ensaio. Perguntem a qualquer pessoa se não tem um dia - um dia que seja! - em que lhe apetece fazer qualquer outra coisa, tudo, menos aquilo com que sempre sonhou a vida toda. Perguntem-me a mim. E eu respondo: ah, pois não, não aconteceu...
Tocava eu nos Pesadelo Crioulo - era um cruzamento entre industrial, hard-core e morna. No velho Blitz, escreveram uma vez sobre nós: "Quinta-feira - Pesadelo Crioulo + DJ convidado, Texas Bar, 23h00, 2,5 euros". Foram os nossos 15 minutos de fama, ainda hoje tenho lá o recorte do jornal. Mas voltemos ao assunto. A gente tocava muito aí na cena underground de Odivelas, Loures e assim. Tínhamos um culto, até - o Armandinho, baterista simples e inapto, mas que parecia um enciclopédia. Aquilo é que era uma cabeça, caramba - o homem sabia a capital da Bielorrússia e da Síria e não sei quê. Se os pratos de choque se tocassem com a testa, tenho a certezinha que o Armandinho era dos gajos com mais tempo em Portugal. Não é que ele hoje não tenha tempo - a reforma por invalidez proporcionou-lhe a liberdade e o conforto para assimilar cerca de 16 horas de programação da TVI, duas caixas de Chocapic e uma quantidade indeterminada de cocacolas e pipocas por dia. Mas não era desse tempo que eu falava. Voltando à cena underground do arredor nor-nordeste lisboeta: éramos aquilo a que se chama, ainda hoje, uma banda bimestral. Não havia sagrada sequência de dois meses em que os Pesadelo Crioulo não desse um concerto! Ora, isto cansa, como devem calcular. A pica começa a deixar de ser a mesma. Os enganos já não têm piada. O público já não nos liga grande coisa. E mesmo as miúdas, que num passado não muito longínquo faziam gala em mostrar atributos mamários à banda + staff de palco, agora pareciam rapariguinhas tímidas, pretendentes a catequista (duas delas acabaram por sê-lo, deus saberá o como e o porquê...). Ora, isto desgasta, evidentemente. Uma pessoa sobe ao palco, sabe que vai ser mal paga, sabe que ninguém lhe liga grande coisa e que são poucos os que se calam para ouvir o single novo "Sodade desse caminho amaldiçoado pra 'nha terra San Cipriano" e que, no fim, vá lá se a empregada de balcão nos der o número de telefone, já é uma sorte. Uma pessoa desanima.
Lembro-me que nesse concerto subi ao palco e disse "ei, pessoal... hoje não me apetece tocar, pá... não levem a mal". O povo reagiu bem. A maioria das pessoas permaneceu indiferente e houve dois senhores, mais velhos, que aplaudiram. Mesmo assim, o meu sentido de responsabilidade falou mais alto. Peguei e disse para a banda "ei, ménes... pá, isto toca-se na mesma, é na boa, eu faço um esforço". Hora e meia depois, a Xana - a do balcão - dava-me o número de telefone e os parabéns "aquele refrão 'ai que tristeza de vida / bute aí matar a bófia / ai que desgraça esta existência / bute aí malhar na bófia' é... lindo, Guitarrista... és um poeta". Parece que nem tudo foi em vão. É por isso que deixo aqui esta mensagem, caro leitor: sejas tu médico ou trolha ou advogado ou camionista ou a minha professora ou jornalista ou engenheiro ou pintor abstracto ou bófia ou assim, não te rales. Mesmo que não te apeteça trabalhar, a vida vale a pena.
 
terça-feira, outubro 03, 2006
  O mundo tem que saber disto:
este vosso estimado blogger não morreu, não se ausentou da sua área de residência - respeitando, deste modo, a medida de coacção que lhe foi aplicada -, não está internado, não tem graves problemas de saúde, nem sequer deixou de ter vontade de escrever para a Querida Guitarra, deliciando com suas palavras a audiência ansiosa. O vosso adorado Guitarrista padece, tão simplesmente, de uma crise aguda de falta de inspiração. Mas já anda a tomar os medicamentos para se inspirar novamente. O que é que, ultimamente, tem andado com o nariz entupido. Até já.
 
A música vista por dentro. A vida tocada em guitarradas ruidosas. Cuidado com o feedback.

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