Querida Guitarra
quinta-feira, outubro 28, 2004
  Biqueirada


Era inevitável. Eu também gosto de falar de futebol, mas fazê-lo regularmante num blog como a Querida Guitarra não me parece muito apropriado.

Como o problema não era exclusivamente meu, eu e outros três distintos blogueiros (Z,Vareta Funda e O Bom Selvagem) que, tal como eu, não blogam sobre futebol, decidimos fundar um sítio de discussão reles sobre o que verdadeiramente importa nesta tão medíocre modalidade desportiva, uma vez que gostamos mesmo de bola (vide imagem abaixo - um de nós foi à bola e entusiasmou-se; mas não vou dizer quem é).



Posto isto, fica o convite: se gostam de futebol e tudo o que esse fenómeno tem de pior, não deixem de visitar a Biqueirada.
 
  Homem ao Mar!
É a faina. Trepam, mar adentro, e, naquela chata pouco mais que frágil, carregam sobre as vagas que não têm regras, que não têm respeito. Aquelas vagas que crescem, aquela massa impensável que transcende os homens, avassaladora, poderosa.
Toneladas tiranas que ordenam e desordenam rotas e derivas.
"É desta que me levas os homens, malvado"
Sussurram em terra.
"Mestre, é desta é que a gente vai"
Há receios no mar.
Mas é a faina. O Homem, que nasce mínimo, agiganta-se por dentro e diz para si que conquista e então é como se crescesse mesmo e se tornasse imenso, ondulado, poderoso e caótico contra o caos das águas.
Aquilo é tudo água. É aquela coisa minúscula e os homens, inacreditavelmente mínimos, que leva dentro, e o resto, à roda deles, é água. O mundo é todo água selvagem.
"Mar danado, que me levas os homens"
E o mar responde, danado, possuído. Com a paciência que o poder permite e a força que o inferno concede. Faz arrepiar.
"Mestre, é desta é que a gente vai"
E o mundo abana e os pensamentos arrepiam-se e colam-se à pele molhada dos conquistadores. O Danado agita-se e faz-se maior. E mais forte e impiedoso e divino.
"Mar danado, que me levas os homens"
Como deuses-monstros enlouquecidos, as vagas revoltam-se e levantam-se. Fazem os homens pequenos. Fazem os homens não significar coisa alguma e é então que os homens temem - o Danado obriga os homens a temer. Aquela massa líquida, que se agita e ondula, desregrada e sem dó, exibe o seu esplendor contra a finitude frágil dos outros.
"Mestre... é desta é que a gente vai"
E foram.

(para os homens do mar. todos.)
 
terça-feira, outubro 26, 2004
  Melhor diálogo do fim-de-semana
Eu e o Jokinha, o baterista, num café, antes do ensaio de ontem à noite dos Ácidos Nostálgicos.

(Eu): Epá, esta história do feliscorne, man...
(Ele): Iá, é marado, hein?... Mas olha...
(Eu): Iá.

(Pausa)

(Ele): Man... diz que a Leninha é que tocava bem o feliscorne...
(Eu): Quem?
(Ele): Feliscorne... a cena, o instrumento do Micas, man...
(Eu): ...man, 'tás a flipar... "Quem"? Quem é essa gaja, a Leninha?
(Ele): Ah... 'tão, man... acho que não é gaja, é chavalinha ainda, tipo... miúda...
(Eu): Iá, pá, mas quem é a miúda?
(Ele): 'Tão... diz que é a filha do professor Mota...
(Eu): Quem?
(Ele): A Leninha.

(Pausa. Eu a ficar nervoso.)

(Eu): Bom, adiante... Qual professor Mota?
(Ele): 'Tão... o pai da chavalinha. Ouvi dizer que ela andava com o Drubi... (Jokinha faz uma careta, queixo para fora, tipo "beats me")
(Eu): E como é que sabes que ela tocava bem o feliscorne?
(Ele): 'Tão, man, li no teu blog... lá da "Minha Querida Guitarra" ou assim...
(Eu): Querida Guitarra.
(Ele): Pois, foi o que eu disse... Querida Guitarra... Minha Querida Guitarra...

(Pausa. Respira fundo, Guitarrista Famoso, tu respira fundo)

(Ele): Tu não vais ao teu blog? Pensei que fosses tu quem escrevesse aquilo... (outra vez a careta do "beats me") ... Isso é tipo... paradoxo, man.
 
segunda-feira, outubro 25, 2004
  A questão feliscorniana


Passei o fim-de-semana fechado em casa, a pensar - abri uma ou outra excepção para ir à varanda fumar um cigarro. Mas, mesmo na varanda a fumar um cigarro, apenas uma questão me ocupava o espírito: feliscorne?! Porquê? E, já agora, que raio de instrumento é esse? Será meeeeeeeesmo um instrumento? Hum... Hoje continuo pensativo. Não sei se os Ácidos Nostálgicos terão grande futuro com uma coisa chamada "feliscorne"...
 
quinta-feira, outubro 21, 2004
  Melhor diálogo do fim-de-semana
Ontem era para ter havido ensaio. Ainda não vos contei, mas resolvi formar uma nova banda. Somos cinco gajos e já tocámos todos juntos durante os tempos de liceu. Isto é uma espécie de reencontro musical, digamos assim. Esta reconstituição da banda que responde pelo nome de Ácidos Nostálgicos. Fui eu que inventei o nome e, modéstia à parte, soa-me bem, porque faz lembrar aquelas designações em latim que se dá aos animais e às plantas. Assim ficamos com um ar, sei lá, tipo, científico, intelectual. Além disso, remete para as nossas experiências musicais dos idos anos '70.

Acontece que, ontem à tarde, reúni com um dos músicos, o Jokinha, para acertar pormenores. Segue-se a transcrição fiel do nosso diálogo.


(Eu): Então, man? Ainda lhe dás na batéra?
(Ele, sustendo a respiração): ... vvvvvvvvvv (ler para dentro)... d... iá.
(Eu): Ah... vvvvvvvvvvv...d... nice.
(Ele): ... bvvvvvvvv... (ler para fora)... e tu?
(Eu, encolhendo os ombros): ... bvvvvvvv... ah... é a guitarra... o costume.
(Ele, entre dois goles de cerveja): Epá, o Micas é que anda maluco aí com uma cena nova... é o...
(Eu, intrigado): Uma cena nova? Tipo, o quê?
(Ele, esforçando a cabeça): É... tipo... uma cena... um... instrumento qualquer... deixou o baixo, o gajo... é o...
(Eu): É um instrumento?...
(Ele): Iá, mas tem um nome... é o...

(Pausa na conversa)

(Ele): É tipo... felis... felis... corne... acho eu...
(Eu, estranho): Felis... quê?
(Ele): Corne. Acho eu, mas não garanto.

Pelo sim, pelo não, faltei ao ensaio.
 
quarta-feira, outubro 20, 2004
  Estado de nervos
Man, há coisas que... pfffff... nem sei como é que... A sério, eu estou completamente fora de mim... Eu estava a dormir, muito bem, era p'raí onze da manhã e... pffffff... Vocês sabem o que é estar a dormir, na boa, e, de repente, entra-nos pelo quarto, pelos ouvidos, pela cabeça, pelo coração, pela garganta, pelo estômago, pelo pâncreas, pelo esófago dentro "Goodbye to you my trusted friend / We´ve known each other since we were nine or ten"? Sabem?... Sabem? SABEM?

Se a Alta Autoridade para a Comunicação Social tivesse realmente mão nesta Comunicação Social que nós temos, o Rádio Clube Português teria perdido a licença de emissão logo da primeira vez que os Westlife tivessem tido direito a tempo de antena.

E o refrão? Ai, mãe... " we had joy we had fun we had / seasons in the sun / but the hills that we climbed were / just seasons out of time"... MAS O QUE É QUE PASSOU PELA CABEÇA DESTE GAJO? E a minha vizinha? Eu acho que ela... eu acho que ela... eu... aquela... de certeza que já devia estar em trabalho de parto... ela... aquilo, vocês não conseguem imaginar o tamanho daquela barriga, aquilo... e depois só ouve isto, estas coisas... e eu, na minha cabeça só tenho "rádioclub-por...tu...guêêêês!" e "we had joy, we had fun, we had seasons in the sun"... eu... eu...
 
segunda-feira, outubro 18, 2004
  Um Olegário distraído
(Ontem à noite fiz uma música. É uma cena muito punk-rock tipo Ramones. Era para levar três acordes, mas depois decidi não abusar: isto vai em Lá - Ré e vice-versa. No refrão é o dobro do tempo para cada nota, que é para não se tornar enjoativo e previsível. A música é bonita, tem feeling e ainda tem crítica sício-desportiva implícita. Coisa cerebral, portanto.)



Quando a vida se torna chata
porque é segunda-feira
e a vida não está barata
temos que arranjar uma maneira

quando o Petit remata
para um golo de bandeira
e o Baía faz de pata
e o fiscal-de-linha que é cego e monguita não levanta a bandeira

(Refrão)
eu fico chateado - eu fico chateado - eu fico chateado
aquilo foi golo - eu fui roubado!
(coro repete "cha-te-a-do!" 5x e eu repondo "ro-u-ba-do!" 5x também - para dar a cena do empate)

o FCP é uma bosta
o SLB é o Glorioso
cuidado com o Jorge Costa
que ele faz bué de jogo perigoso

Olegário Benquerença
é nome de gajo esquisito
mas faz muita diferença
se for ele a soprar no apito

(Refrão)
eu fico chateado - eu fico chateado - eu fico chateado
aquilo foi golo - eu fui roubado!
"cha-te-a-do!"
"ro-u-ba-do!"
 
sexta-feira, outubro 15, 2004
  Tentem compreender
Ser artista, às vezes, é chato. Não é chato tipo "man, ganda chatice ser artista", é mais aquela onda de "vocês estão a misinterpretar a cena, não era bem isso que eu queria dizer". Estão a ver? Não é fácil explicar. É para isso que a onda do feedback faz falta, e não estou a falar do feedback hendrixiano, nem tão pouco do feedbackismo contemporâneo, tipo Sonic Youth e isso. É o feedback mais naquela de ter retorno. Por exemplo, eu digo uma cena e vocês dizem o que é que pensam da cena que eu disse. É isso.

Isto vem à conversa porque fiquei um bocado desapontado com a reacção do público ao meu poema-manifesto-exercixorcismo Multidefinicionário Desentoplectualizador, i.e., o post imediatamente por baixo deste. Tipo, eu compreendo-vos, por um lado, uma vez que também eu, enquanto auto-espectador-leitor, tive dificuldades em interpretar as minhas próprias anti-palavras. Mas isso é natural. Agora, eu não me pus para aí a chamar-me "ó Guitarrista, tu deixa os smarties!" e "ó Guitarrista, essa erva estava manhosa, deixa de comprar no Martim Moniz!" e coiso. Tem que haver respeito.

É do conhecimento geral que o artista, enquanto criador-inovador, provoca reacções e desperta emoções. E que, ao fazê-lo, ou seja, ao depender da reacção final do seu interlocutor, perde o controlo sobre o resultado final da sua criação, uma vez que ela resulta, como diria Derrida, não do que o criador pretende, mas do que o receptor-intérprete reformula e desconstrói/reconstrói. É uma cena marada, mas é mesmo assim. Agora, não vale é chamar nomes, tipo "és um drogado" - e eu até já escrevi um texto sobre os drogados e as escalas de Richter e de Mercali para medir os drogados, aqui há uns tempos, não sei se se lembram.

E mais, digam-me lá qual é a vossa dificuldade em relação a tiradas como estas: "metantilinguisticamente isto é um analfexercixorcismo / de desaprendaprendizagem infrintelectincultopedagógica / - Sumário: / inanimação da castrolíngua anterior". A mim não só me soa bem como nem sequer me deixa grandes dúvidas. Acreditem, pá, eu, se pudesse, dava tudo para ser como este rapaz aqui deste texto sobre o concerto, assim, feliz com aquilo que faz, plenamente compreendido pelo público. Eu serei sempre marginado pela vossa falta de compreensão. Quem tem razão é também o Bom Selvagem: querem cultura? Para quê? Vocês não sabem o que hão-de fazer com isso...
 
terça-feira, outubro 12, 2004
  Multidefinicionário desentoplectualizador
desintelecto anametametemático
videossonopesador do infraesqueleto
magrintestinal interterrorizador putempenhado
desmascaramascarramento
descarregamatamento desinculto
anti-ultrafantasmapictórico
- coisa tão feia, credo! (Nota do Autor)

multibonifactual
entrosintestinado matinofacial
comunicacionalisticamisticamente tristavestruz
- crucial como ponto-cruz -
mimético-rimétrico-milimetrismissimamente rimado
- graças a Deus! (Nota do Autruz)

ex-ex-ex-ex-peri-melto-mentol
nonanananananagésimonono
proto-centététététicésimo
metantilinguisticamente isto é um analfexercixorcismo
de desaprendaprendizagem infrintelectincultopedagógica
- Sumário:
inanimação da castrolíngua anterior.
 
segunda-feira, outubro 11, 2004
  Melhor diálogo do fim-de-semana
Hoje de manhã dirigi-me a uma caixa do supermercado Mini-preço do meu bairro. Segue-se o diálogo protagonizado por mim e pela respectiva... não sei como se chama... motorista de caixa?!... técnica de registadora?!... era uma senhora daquelas que têm bata e dizem "Boa tarde, tem cartão Mini-preço?" e depois dizem quanto é que custa tudo junto e se queremos um saco. Se quisermos é mais dois cêntimos.

(Eu, muito sério): Boa dia!
(... senhora, muito sentada): Bom dia, diga por favor.
(Eu, ainda mais sério): Não se importa de chamar o gerente?
(... senhora, menos sentada): Errrr... bvvvv... há algum problema?
(Eu, tipo, chateado): Sim. Está a ver isto? É uma embalagem de Actimel que comprei aqui na quinta-feira passada.
(... senhora, meio assim...): Sim... e?!...
(Eu, já a ficar indignada e nervoso): E?!... E?!... Ora, não se faça de parva... 10 mil milhões de El-casei Imunitass?!... Dez mil milhões?!... Pffffff... Quem é que vocês querem enganar?... Pelas minhas contas, a este faltavam-lhe 3 milhões, 456 mil, 741...
(... senhora, com uma cara estranha): Desculpe?!...
(Eu, a concretizar): Ah, pois é... Escusa de fazer essa cara de... de... de não-sei-o-quê. Ou me dão os El-casei a que tenho direito ou exijo o meu dinheiro de volta!
 
quinta-feira, outubro 07, 2004
  Melhor diálogo do fim-de-semana
Noite de segunda-feira. Bar lisboeta. Hora tardia. Uma mulher aproxima-se de mim com um copo de whisk... uísq... whyske... de bebida na mão. Mas é uma mulher com idade para já estar na cama. Com o marido, sem dúvida. Ambos a gozar as vantagens da pré-reforma da EDP.

(Mulher): Olá, rapaz... Não conheço a tua cara de qualquer lado?
(Eu): Suspeito que sim. Provavelmente daqui, visto que está há 20 minutos a olhar para mim.
(Mulher, rindo): Ah ah ah ah.

(Pausa)

(Eu): Ouça, senhora...
(Mulher): Não me trates por senhora, por favor...
(Eu): Lamento, mas isso é impossível. É nítido que terá, pelo menos, a idade da minha mãe. Não me sinto confortável tratando-a como se fosse... só mais uma rapariga da minha idade.
(Mulher, chegando-se ao meu ouvido): E como é que tu me tratavas se eu fosse uma rapariga da tua idade?

(Pausa. Eu, vermelhamente pensativo e levemente assustado. Caramba, esta mulher está alcoolizada! Alguém tem que fazer alguma coisa.)

(Mulher, muito mais próxima de mim agora): És muito maroto a tratar as raparigas da tua idade?
(Eu, engasgando-me): (som estranho de engasgo violento)
(Mulher): Estás bem?
(Eu, recuperando o fôlego): Já passa... cof cof... deve ser apenas uma doença letal fulminanante, altamente contagiosa... cof cof... nada de grave...
(Mulher): Queres ir tomar ar? Posso fazer-te companhia...
(Eu, em pânico): Bom, eu... errrr... cof cof...

(Pequena pausa)

(Mulher, aligeirando a conversa): O som daqui é porreiro, não é?
(Eu... na boa): Ah... o som é...
(Mulher, mais atrevida): A mim dá-me vontade da nçar... que nem uma louca.
(Eu, mais atrapalhado): Pois eu... dançar não é o meu forte.
(Mulher, dengosa): És mais... espiritual? Ou preferes o físico?
(Eu, muito hirto e muito branco): Acho que eu é mais... espírito, sim...
(Mulher, a ferver, pegando-me na mão): Não tenhas medo, não te faço mal.

(Pausa muito gelada)

(Eu, decidido. Um autêntico homem): Trato-as muito mal!
(Mulher, surpreendida e meio confusa): O quê?! A quem?...
(Eu, mantendo a atitude): Às raparigas da minha idade, se quer saber.
(Mulher, sorrindo maternalmente): Ai sim? E o que é que lhes fazes?
(Eu... errr... um bocadinho aflito): Normalmente... errr... troco-lhes os nomes.
(Mulher, mordendo o lábio antes de falar): Posso dar uma... trinca no teu pescoço?
 
  Os meninos até já dão entrevistas
Pois é... parece que actuar no Santiago Alquimista dá resultado. Qualquer dia ficam famosos - eu sei o que é isso...- e não ligam aos amigos de antigamente. O costume. Para quem tiver curiosidade, pode ler a entrevista. Boas perguntas e respostas interessantes, para além das fotos do inigualável Z. Boa leitura...
 
segunda-feira, outubro 04, 2004
  Humor em FM - Along the Road
Parece-me que isto aconteceu tudo na Antena3. Mas não garanto, que o meu auto-rádio é uma maquineta antiga - ainda daquelas marcas tipo Telefunken, ou assim, que eu já nem sei se ainda se fabricam - que não capta aqueles sinais modernos com os nomes das estações. No fundo, sou um adepto do ponteiro e do botão, à boa maneira dos '70s (seventies). Isto, para condizer com o Ford Escort carrinha, 1.3 a gasóleo, modelo de 1974 - não sei se ainda apanhou o Estado Novo. Não tem vidros fumados e atinge os 100km's por hora com uma imprecisão fora-de-série: depende sempre do tempo que o reboque demora a chegar e, mais que isso, depende da velocidade de ponta deste último. Contudo, e apesar de ser um Telefunken - versão coleccionador, a traquitana apanha FM. Azar o meu, pensarão vocês. Ora, nem tanto - replico eu.

Digamos que era Antena3. Lá dentro actuavam os insípidos mas vontadeiros Blind Zero (BZ). Com o inglês-americano do costume, a entoação americanizada do costume, os acordes rock-FM americano do costume e aquela característica, também costumeira destes nossos amigos, de não aquecer nem arrefecer. Esplêndido, portanto, para uma viagem longa: não nos deixa adormecer mas também não nos distrai.

A certa altura, Miguel Guedes - honroso vocalista dos BZ e membro ancestral dessa mega-tribo universal que prima por tentar chegar aos calcanhares do Edie Vedder (também ele americano, segundo reza a lenda) - comunica com o público. E sai-se com esta pérola (tentarei ser o mais exacto possível na transcrição, mas é natural que esta não seja 100% fiél às palavras exactas do frontman da banda): "(...) esta música é sobre uma guerra mais que prevista mas foi feita ainda essa guerra não tinha começado. Claro que o senhor Bush cumpriu a previsão e deu-lhe início, como se sabe. O pior de tudo é que o povo americano é tão estúpido que parece que o vai eleger outra vez (...)".

Brilhante. Pelo menos, para uma banda que não passa de um subproduto barato e "made in Portugal" da cultura do "tão estúpido povo americano". É o que se chama, em português, o "tiro no pé". Ou, no inglês que os americanos falam e que os Blind Zero tentam verbalizar quando o Miguel canta, "a shoot on the foot".

Queria agradecer ao Miguel e aos BZ, à Ford, à Telefunken e, já agora (espero não estar errado), à Antena3 por este apontamento de humor.
 
A música vista por dentro. A vida tocada em guitarradas ruidosas. Cuidado com o feedback.

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