Querida Guitarra
quarta-feira, agosto 31, 2005
  Teste das letras que vocês não sabem - proposta de correcção
Visto que as vossas respostas foram pobres, reflexo da vossa fraquinha sabedoria (sereis mesmo povo auditivo? Ou meros depósitos de cançonetas comercialóides que passam em FM?), eu próprio encarregar-me-ei de responder por vós. Ora aqui vai a lista com as respostas correctas ao teste "letras de música portuguesa portuguesa aos pedaços":

"um que cantava todo bêbado / outro tocava todo nu / elas fingiam que gostavam / se a letra / era I love you"
-Falha Humana, GNR

"se eu fosse compositor / compunha em teu louvor / um hino triunfal / se eu fosse crítico de arte / havia de declarar-te / obra-prima à escala mundial"
-Dá-me Lume, Jorge Palma

"Terra do fogo / no sul da Argentina / oito da matina e um frio de rachar / sai a patrulha para militar / estendendo a roupa toda remendada / usada pelos seus irmãos / sonha com um tango / dançado com as mãos"
-Conchita Morales, Xutos & Pontapés

"Eu ainda andava assim-assim / pior ia a Tartaruga Touché / fomos daqui até Almeirim / onde fizémos não me lembro o quê"
-Bezana à Ribatejana, Zebra Somáli (antiga banda do Guitarrista Famoso)

"à uma e meia da manhã / chega o comboio à nação / eu vou p'ra casa, vou ligar a televisão / no 26º canal / falará PJ um espanhol divinal?"
-Dama do Sinal, Ornatos Violeta

"E vinha o vermelho e invadia o vermelho / e assanhavam-se os gatos conscientes / da invasão da sua noite / solitária. Depois apagava-se / a última luz da última janela e desaparecia / o Amor na tépidez dos lençóis"
-Facas em Sangue, Mão Morta

"Dá sopa aos teus vizinhos / que é o fruto nacional / mesmo que fiques só / mantém / mantém o temporal / não sejas / mais um caso banal"
-Sopa, Censurados

"os meus amigos enterrados no jardim / e agora mais ninguém confia em mim / era só p'ra brincar ao cinema negro / os cropos no lago eram de gente no desemprego"
-Bellevue, GNR

"uns acabaram de maca / outros 'inda mais deitados / o coveiro que o diga / o coveiro que o diga / quantas vezes se apoiou na enchada"
-Rita Põe-te em Guarda, Sérgio Godinho

"Toda a gente quer ser muito moderna / mas a tacanhez essa há-de ser eterna / toda a gente quer fazer algo de original / acabando por copiar aquilo que acham original / toda a gente repara que acabo duas frases da mesma maneira / (se for esse o caso toda a gente caiu na ratoeira)"
-Toda a Gente, Da Weasel

"a Mariana orientava-se / punha os óculos de sol / atirava a beata p'ró chão e admirava-se / daquelas manchas no lençol / virava a barriga p'ra baixo / e dizia «fazes tu o pequeno-almoço»"
-Noites no Campismo em Porto Côvo, Fétiche Bípede (antiga banda do Guitarrista Famoso)

"Coleccionei instantâneos pessoais / retrospectivei expressões superficiais / magníficos dias atlânticos / no jogo e na arte de viver"
-Dias Atlânticos, Ban

Termino com um post scriptum: como já devem ter reparado, nos últimos tempos este blog vem sendo vítima de atentados internéticos. Ele é os comentários que não abrem, ele é o template que se escangalha, ele é o próprio blog que fica demsaiado carregado, de repente, e pára de correr, os comentários voltam a não abrir e as pessoas não conseguem aceder ao que escrevo. Provavelmente, tudo isto resulta de um complô de multinacionais que tentam arrasar, sem escrúpulos, este bastião da música independente. Não hesito em afirmar que se trata de uma tentativa de bloguecídio. Acautelando a implosão definitiva, devo avisar os caros espectadores de que, caso a situação se mantenha até ao final desta semana, serei forçado a mudar de ares, colocando a Querida Guitarra em novo endereço. Espero que tal não seja necessário, mas não sou eu quem anda a perseguir-me a mim próprio.
 
segunda-feira, agosto 29, 2005
  Um tiro na girafa! *PUM*
Chegou à redacção da Querida Guitarra, sexta-feira passada, um pacote com várias amostras de música de bandas promovidas pela No Agency. São vários os projectos interessantes contidos nesse pacote. Apóas as primeiras audições, os destaques vão para os Zöe, uma agradável mistura de sonoridades numa fusão com cheiro a funk e blues, muito sóbria, e para os 1 Poesia e Percussão, um trio que apresenta, pasmem-se, poesia e percussão. Apenas isso. À primeira, estranha-se. Mas à segunda tem-se a noção de que está ali não só uma boa - e arrojada - ideia, como também óptimos intérpretes sobre uma excelente recolha de poemas (que inclui peças de Cesariny, David Mourão Ferreira ou Luísa Neto Jorge, só para citar alguns), quando estes são "recolhidos". Porque, meu bom povo auditivo, quando estes rapazes decidem elaborar sobre poemas do dizeur João Negreiros, a coisa toma outras proporções. Viciante é a palavra mais adequada.

"em cima da girafa
a gira na girafa
um giro na girafa
um tiro na girafa
*PUM*

últimas representações
la giraphe que fumais
porque é giro e é français
e o cancro no pescoço
ainda mais bonito é!"


(excerto de Carrocel / Maria Vai à Volta dos 1 Poesia e Percussão)
 
sexta-feira, agosto 26, 2005
  Teste: letras da música portuguesa portuguesa aos pedaços
(Grau de dificuldade: muito fácil)

"um que cantava todo bêbado / outro tocava todo nu / elas fingiam que gostavam / se a letra / era I love you"

"se eu fosse compositor / compunha em teu louvor / um hino triunfal / se eu fosse crítico de arte / havia de declarar-te / obra-prima à escala mundial"

"Terra do fogo / no sul da Argentina / oito da matina e um frio de rachar / sai a patrulha para militar / estendendo a roupa toda remendada / usada pelos seus irmãos / sonha com um tango / dançado com as mãos"

"Eu ainda andava assim-assim / pior ia a Tartaruga Touché / fomos daqui até Almeirim / onde fizémos não me lembro o quê"

"à uma e meia da manhã / chega o comboio à nação / eu vou p'ra casa, vou ligar a televisão / no 26º canal / falará PJ um espanhol divinal?"

"E vinha o vermelho e invadia o vermelho / e assanhavam-se os gatos conscientes / da invasão da sua noite / solitária. Depois apagava-se / a última luz da última janela e desaparecia / o Amor na tépidez dos lençóis"

"Dá sopa aos teus vizinhos / que é o fruto nacional / mesmo que fiques só / mantém / mantém o temporal / não sejas / mais um caso banal"

"os meus amigos enterrados no jardim / e agora mais ninguém confia em mim / era só p'ra brincar ao cinema negro / os cropos no lago eram de gente no desemprego"

"uns acabaram de maca / outros 'inda mais deitados / o coveiro que o diga / o coveiro que o diga / quantas vezes se apoiou na enchada"

"Toda a gente quer ser muito moderna / mas a tacanhez essa há-de ser eterna / toda a gente quer fazer algo de original / acabando por copiar aquilo que acham original / toda a gente repara que acabo duas frases da mesma maneira / (se for esse o caso toda a gente caiu na ratoeira)"

"a Mariana orientava-se / punha os óculos de sol / atirava a beata p'ró chão e admirava-se / daquelas manchas no lençol / virava a barriga p'ra baixo / e dizia «fazes tu o pequeno-almoço»"

"Coleccionei instantâneos pessoais / retrospectivei expressões superficiais / magníficos dias atlânticos / no jogo e na arte de viver"


O objectivo é que o meio-ignorante povo auditivo leia isto e identificque, à primeira, o título da música e o nome do(s) intérpretes da sua versão original. Podem responder nos comentários ou, caso não queiram expor-se à chacota do grande público, enviar-me as respostas por e-mail. De qualquer das formas, e para evitar embaraços, aconselho-vos a subscrever a respostas sob a forma anónima. O grau de dificuldade é nulo, tal como a cultura musical dos domesticados leitores. As escolhas foram estas como poderiam ter sido outras. A minha cabeça é uma fonte inesgotável de sabedoria. E quando essa sabedoria acaba há sempre o Google da internet. Devo ainda acrescentar que as letras são reproduzidas sem qualquer tipo de autorização. Pois, processem-me a ver se isso me chateia.
 
terça-feira, agosto 23, 2005
  Coluninha saudosista
Antes de mais, deixo um aviso - se, por um acaso estranho (muito estranho, mesmo), estiver um taxista de frente para a internet a ler esta página:

amigo, pode parar de arremelgar a pestana. Sobre este amarelo duvidoso nunca haverão de derramar-se expressões como "fazia cá falta era o Salazar" ou "já tenho saudades da propriedade em Lourenço Marques e de quando eu dava umas boas vergastados nos pretinhos". E se o aviso serve para os taxistas, não serve menos para as senhoras idosas, de mais de 50 anos de idade, que teimam em ocupar os lugares reservados aos deficientes e às grávidas nos transportes públicos de Lisboa.

Adiante. Para estreia desta Coluninha saudosista, rubrica que conto repetir com regularidade imprevisível, tomo a liberdade de apresentar uma pequena pérola que achei este fim-de-semana no armário do hi-fi dos meus pais. Lá estava ela, velha, rouca, a capa partida, as letras já comidas pelo sol de anos e anos (14, salvo erro): a cassete do primeiro álbum dos Resistência. Julgo eu que o álbum se chama mesmo Resistência. Mas não prometo nada. Ou seria Palavras ao Vento? A minha cabeça já não é o que era.

Meus amigos, aquela relíquia é a prova irrefutável de que uma mistura arriscada nem sempre dá dinamite, vómitos ou diarreia. Normalmente, dá. Mas, neste caso, juntar Pedro Ayres Magalhães à dupla delfinista Miguel Ângelo/Fernando Cunha e este trio ao improvável Tim e estes todos juntos (!!!) ao inenarrável Olavo Bilac... revelou-se uma ideia muitíssimo boa, apesar de estranha à brava.

Há ali músicas que, depois de devidamente arranjadas, se tornaram brilhantes. A que mais me impressiona é No Meu Quarto, com uma interpretação no mínimo inesperada de Miguel Ângelo e Olavo Bilac.

Eu não sei o que vocês pensam sobre o assunto, mas eu gosto de surpresas agradáveis. Especialmente quando já são relíquias do tempo dos Nirvana. E era só para dizer isto.

PS - Não deixando créditos por mãos alheias, Ângelo e Cunha dão um ar do seu charme com o inadjectivável Nasce Selvagem. Para quem não sabe, como se não bastasse a pobreza deste tema no seu original, a amaldiçoada canção viria ainda a ser semeada e a dar frutos nefastos. O fruto que me vem assim de repente à cabeça é essa aberração Soltem os Prisioneiros, que certamente brotou de uma tarde de inspiração no Parque Natural Sintra/Cascais, durante um longo passeio dos Delfins pelas imediações do Hotel de Tires e das piscinas do Linhó...
 
quarta-feira, agosto 17, 2005
  Músicos freak


Os Kelly Family, que desmoralizam com facilidade, decidiram manifestar o seu repúdio pelo repúdio manifestado pelo público durante a actuação da banda. Perante uma plateia espiritual e fisicamente ausente, os Kelly Family fizeram da expressão corporal o veículo da sua indignação. Até aqui, tudo bem. O pior foi quando se ouviu um rufo. O chefe de família apressou-se a apontar para o seu sogro, exclamando "ele é que comeu a sopa de alho francês, ele é que comeu a sopa de alho francês". Porém, e embora não dê para perceber pelo ângulo da foto, quem acabou por corar foi a namorada do terceiro filho mais velho do chefe de família (ao centro, em baixo, por cima do bombo). "Ah, malandra" disse o seu namorado.
 
terça-feira, agosto 16, 2005
  Ericeira, dia 20: MÚSICA POR UMA CAUSA


Para quem ficou com dúvidas:

Praia dos Pescadores, Ericeira, das 22h00 às 04h00.

Com as seguintes bandas:

-Three and a Quarter
-Jahvai
-New World Jamaica
-Diana Jones and the Vietnam Whiskey Dancers
 
  Piromania
(M: Nuno Rodrigues; L: Guitarrista Famoso; Intérprete: Lara Li)

Piromania
com vento forte
e num só dia
de sul a norte

desbastámos
a floresta
que deixava
o país
todo verde

mas que feio
o mundo devia ser vermelho

piromania
com vento fraco
leva mais de um dia
e de fósforos um saco

mas a chama
violenta
chegará
p'ra tornar
a floresta

bem cinzenta
pois se o verde é uma cor que não presta

telepatia
é bem porreira
com piromania
é p'rá vida inteira

incendiámos
em segredo

copulámos
nas cinzas
sem medo

dos bombeiros
teus recantos pareciam cinzeiros
 
terça-feira, agosto 02, 2005
  Um artista não tem férias
É mesmo assim: não há maneira de ter descanso.

Mas os artistas também têm outras particularidades. Por exemplo: mesmo os músicos mal pagos podem fazer boa música. Querem provas? No QG Fest, encontro-festa entre músicos e amantes de música, os artistas serão extremamente mal pagos. No entanto, os músicos não deixam de querer mostrar o seu (bom) trabalho.

Mais dois nomes a juntar ao já extenso rol de participantes no evento:

-Pura Mistura;
-FadoMorse.


De sublinhar, caros amigos, que - e não desfazendo de nenhuma das outras bandas já anunciadas -, os senhores FadoMorse têm um currículo invejável, que inclui 3 álbuns lançados e a participação na Quinta dos Portugueses da Antena 3, entre outros feitos merecedores de destaque.

Agora, mais uma actualização. Depois de se ter tentado o aluguer da Herdade da Casa Branca, nos arredores da Zambujeira do Mar, para a realização do Fest, fomos informados de que alguém comprado por um consórcio que envolve Super Bock, TMN e Música no Coração, já tinha tido essa ideia. Assim sendo, o local do encontro ainda não está confirmado. A ideia que se seguiu à Zambujeira dava o edifício Edipress, no Bairro Alto, como quase certo. Porém, a falta de segurança para o público, juntamente com a ausência de licenças, dificulta a concretização da ideia neste espaço. Temos pena. Contudo, posso adiantar que já está outro espaço sob auscultação e que as negociações vão adiantadas, pelo que conto, em breve, apresentar aqui o nome do sítio. Posso adiantar que é em Lisboa e que se trata de um sítio que não é, de todo, desconhecido das hostes musicais...
 
A música vista por dentro. A vida tocada em guitarradas ruidosas. Cuidado com o feedback.

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