Querida Guitarra
quinta-feira, novembro 24, 2005
  Este post foi alterado...


... porque o concerto, entretanto, já acabou. Encore e tudo. Vá, tudo p'ra casa.

Quem quiser ter uma vaga ideia do que aconteceu nesta cave, pode espreitar aqui. E também aqui.
 
quarta-feira, novembro 23, 2005
  Melhor diálogo do fim-de-semana
(Baixista Famoso): ... a mim, confesso que o Dave Grohl me irrita um bocado...
(Eu): Yá... é um bocado... tipo...
(Baixista Famoso): Cromo.
(Eu): Isso. Mas os dois primeiros álbuns dos Foo Fighters têm cenas fixes.
(Baixista Famoso): Yá, algumas...
(Eu): Diria mesmo muito fixes.
(Baixista Famoso): Yep.

(Goles de cerveja. gluglugluglug... aaahhhh...)

(Eu): Tipo o Everlong.
(Baixista Famoso): O Everlong, yá.
(Eu): Para mim, o Everlong é capaz de estar no meu top-ten das músicas preferidas.
(Baixista Famoso): Fónix.
(Eu): A sério. A composição é brutal e o ambiente, a textura, o enredo... as guitarras, principalmente as guitarras...
(Baixista Famoso): Yá... mas é assim um bocado... tipo... top-ten?!... Se fosse top 100, um gajo 'inda vá... agora, top-ten? Como é que fazes um top-ten?...
(Eu): O que é fixe na cena da subjectividade é que depende apenas de uma coisa: do meu gosto.
(Baixista Famoso): Yá... pois. E é por isso mesmo que vale o que vale...
(Eu): O que é que queres dizer com isso?
(Baixista Famoso): Nada, nada... faz lá os teus top-ténes...

(Goles de cerveja seguidos de onomatopeia forçada.)

(Eu): Estás com essa atitude... eu compreendo-te...
(Baixista Famoso): Qual atitude, oh?
(Eu): Isso... esse nervosinho...
(Baixista Famoso): Olha-me este... queres ver?...
(Eu): Yá... eu conheço mais gente como tu...
(Baixista Famoso): Ó cara***, mas... o que é que tu queres dizer com isso?
(Eu): Nada, nada...

(Cerveja, etc.)

(Baixista Famoso): Não suportas as críticas... És um mimadinho.
(Eu): Eu?!... fónix. Não estou é habituado a críticas de ressabiados... Lá porque o meu gosto educado me permite fazer top-ténes e o teu gostinho medíocre dá para (com uma vozinha assim) "vá lá, um top 100"...
(Baixista Famoso): "Gostinho medíocre", é? (ele também disse isto com uma vozinha assim) Então hás-de me explicar por que cara*** é que eu toco contigo e ouço as pu*** das tuas músicas! Pode ser? Deve ser o meu (entra a vozinha assim outra vez) "gostinho medíocre"...

(Cerveja e acendimento de cigarros. Há tensão no ar, isso é perceptível).

(Baixista Famoso): Também escusas de amuar...
(Eu): Não... eu não amuei... (expressão ofendida)
(Baixista Famoso): Vá lá, ó Guitas... da-se...
(Eu): Não... a sério...
(Baixista Famoso): Oh...
(Eu): Sabes porquê? Sabes?
(Baixista Famoso): Porquê o quê?
(Eu): Por que é tocas comigo? Sabes? É que o dinheiro explica muita coisa, 'tá bem?...
(Baixista Famoso): Oh. oh... vai-te fod**...
(Eu): É, pois... ainda por cima mal-educado... é a fama, é as gajas, é a guita... depois vem cá com o "gostinho medíocre" e isso e não sei quê...
(Baixista Famoso): Pá... ó Guitas... tu ainda me 'tás a dever dinheiro.
(Eu): Eu?! Do quê?
(Baixista Famoso): De ontem. Eu emprestei-te guito. 10 euros. Devolve-me o guito.
(Eu): Agora não tenho aqui.
(Baixista Famoso): Tu nunca "tens aí"... É sempre a mesma história... "agora não tenho aqui"... Tenho que ser a pagar isto tudo, não é?
(Eu): Pá... tipo, se tiveres aí dinheiro...
 
terça-feira, novembro 22, 2005
  Pensamentos do dia - aka "Máximas Guitarrísticas"
"Se queres ser famoso, vai para estrela do rock ou isso, ou então para artista do cinema.
Agora, se queres tornar-te um mito... hum... rapaz, manda um tiro na cabeça. De preferência em público e deixa uma nota de despedida comovente. E deixa mulher e filhos.
Ou então manda antes um tiro na cabeça de alguém famoso. Também pode ser isso. Mas não mandes na minha."

(Guitarrista Famoso)
 
sexta-feira, novembro 18, 2005
  Poema esquisito
A minha cabeça está no paraíso e no inferno
mas não num inferno infernal
nem num paraíso perfeitinho

tenho muita coisa boa e demoníaca
no meu leito celestial
e muitos idílios ao rubro
no áspero lume dos castigos

a minha cabeça é uma casa de máquinas
e uma alameda de Outono

e a minha cabeça tem campos de minas
a minha cabeça tem garrafas vazias
e corpos vazios
e camas vazias
e outras coisas que são boas e más ou se calhar não são bem isso

a minha cabeça tem uma cruz
a minha cabeça tem um berço

a minha cabeça é esquisita
 
quarta-feira, novembro 16, 2005
  E pronto, lá andam eles outra vez...
feromona

Não basta andarem a colar cartazes na rua, ainda vêm colá-los aqui para a Internet. Isto é de um descaramento...
 
terça-feira, novembro 15, 2005
  A minha veia poética ainda lateja
No seguimento do aumento das palpitações na minha veia lírica, que ora acelera, ora se refreia, consoante o meu estado de apaixonação, decidi continuar a escrever poesias. Esta ainda não tem música mas nunca é tarde demais e não digas desta água não beberei. O Outono é, para mim, um autêntico mar de inspiração. Este poema é a fingir que é para uma miúda. Mas não é. Bom... hrum-hrum... não era isso que já estão a pensar, ok? É para uma "miúda a fingir". Esclarecidos? Chama-se "Sou um bocado tímido e isso dificulta-me o amor".

Sou um bocado tímido e isso dificulta-me o amor

Olha lá:
tinha uma série de cenas
para te dizer
mas eram coisas menos importantes
do que isto
e tinham pouco a ver
com a poesia e isso
portanto
fica para uma próxima
quando formos beber cefé ou assim
ou então mando-te sms.

a verdade é que o Outono funciona
para mim
como a Primavera para as pessoas
mas como eu sou mais especial do que as pessoas
não me apaixono na Primavera
gosto mais do Outono
já percebeste a ideia?
Pronto. Adiante.

Então
o que eu te queria dizer é
bom
enfim
sabes que sou um pouco tímido
cof cof
cof cof
estas coisas nem sempre saem à primeira e
uma pessoa - mesmo alguém como eu
às vezes
até parece que gagueja
e isso

portanto...
já nem me lembro do que ia a dizer

ou melhor
lembro-me, pois,
mas o que acontece é
que
estes discursos direccionados não são pêra
doce

porém, tu és doce como uma pêra
das boas, entenda-se
e eu gosto de pêras
-'tás a apanhar a ideia?
não estou a dizer que tens o corpo em forma de pêra
nada disso
pelo contrário
até acho que és bem jeitosa
mas precisava de te ver em lingerie
para ter uma opinião mais consistente
porque essas coisas
às vezes anganam
pois as miúdas
metem anderbrós
e agora também está muito
na moda
as calças largas e
lá dentro
tanto pode estar uma Merche Romero
como duas

Pronto. Já disse.
 
  Tudo bem de novo
Podem descansar as arritmias e apagar as velinhas a São Martinho: a Querida Guitarra está de volta, mais ruidosa que nunca, com feedbacks marados, letras fenomenais, Músicos Freak e, de vez em quando, Melhores diálogos do fim-de-semana. Mas isso é só quando me apetece. O meu obrigados, pá, à Brigitte, esse monumento à mulher.

Mais acrescento: os comentários da Comnt This são como as letras do João Pedro Pais. Foi a segunda vez que me deixaram mal. Chega!, digo eu. Basta! A partir de agora, comentam na Blogger e é se querem... Também, para o que vocês escrevem, até podiam escrevinhar post-it's.
 
segunda-feira, novembro 14, 2005
  Hora de mudança
Meu bom povo auditivo, tenho um anúncio a fazer: devido a problemas com este template, o acesso a este blog é cada vez mais difícil. Brevemente construirei um novo espaço, mantendo as caracteristicas da velha Guitarra (os mesmos links, o mesmo criador - eu! - e talvez as mesmas cores e tudo). Assim que houver novidades, farei um novo post sobre o assunto. Agradeço aos que mantêm links para este endereço que fiquem atentos e que, quando se der a mudança, tenham a amabilidade de proceder à alteração do link para que a turba de fãs não se perca e o meu rebanho não se disperse pelos caminhos enviesados do mundo banal e humano que vos rodeia. Não deixem que este vosso santuário de recolhimento intelectual definhe e morra! Hasta!
 
sexta-feira, novembro 11, 2005
  Informação futebolística
Ok, ok, eu sei que o sítio não é apropriado. Mas eu explico: dantes eu escrevia, juntamente com outros dementes, para um blogue de futebol chamado Biqueirada. Acontece que, por razões que lá deixei explicadas, decidi abandonar o jogo de equipa, tornar-me individualista (neologismo eufemístico para "fução") e fabricar o meu próprio espaço, desmarcando-me com rapidez e matreirice. E assim nasceu o Dianabol.
 
quinta-feira, novembro 10, 2005
  Could I hold on, or should I hold on to you?...
Porquê desejar Lou Barlow?

Não me interpretem mal. Não falo de volúpia nem tão pouco de mariquice. A resposta à pergunta que abre o texto é, na realidade, bastante simples: Lou Barlow é um "dos últimos". Não me vou pôr a definir isso do que é ser "dos últimos". É ser o Chris Novoselic, o Frank Black, o Mark Arm ou a Kim Gordon - é ser o oposto do Billy Corgan, do Dave Grohl ou do Eddie Vedder, personagens que dão consistência e corpo à expressão dos outros, os que ficaram para ser "dos últimos". Ser um "dos últimos" é estar por cá para me lembrar - e a todos os que, da minha geração, ainda são "dos últimos" - que a adolescência foi uma coisa fascinante. Foi e ainda é, porque "os últimos" carregam adolescência no estômago e, quando esta escasseia, as glândulas tratam de renovar o stock.

Ouvir o Lou Barlow é descer à profundeza dos 15-16 anos, num deleite melódico que tem tanto de melancólico como de apaixonado, tanto de calmo e paciente como de insatisfeito e ansioso.

Conheci Lou Barlow com Sebadoh. Conheci e apaixonei-me, evidentemente, não só por Barlow mas também por Lowenstein, compositor que desequilibra a música com tiradas do mais puro génio, contrapostas a podridões acéfalas quase inaudíveis. Claro que, em Lowenstein, amamos a genuinidade, o despudor, a imperfeição, as rugas da criação. Em Barlow apreciamos a sua capacidade para ser arrumado, para se escutar, para buscar o óbvio - este exercício não é fácil: o óbvio cai, muitas das vezes, no básico; Barlow evita-o com mestria, criando melodias que, sendo puerís, simples, directas - diria "de caderno da escola" -, escapam sempre à náusea do previsível e do medíocre. Barlow é uma espécie de génio, de mestre com alma de "rapaz acanhado lá da turma da primária". Que se revela com uma guitarra nas mãos.

In a world of possibilities, this may not prove real.

Mas Barlow é muito mais que Sebadoh - banda, refira-se, tríptica, sem qualquer pretensão à homogeneidade ou à coerência, composta por três criadores-intérpretes, num esquema rotativo e musicalmente "democrático". Lou Barlow foi baixista dos Dinassour Jr., formou os The Folk Implosion, reformolou-se com os New Folk Implosion, fez coisas absurdas como Sentridoh, etc. Barlow é uma criança hiperactiva. Sorte nossa: mesmo "os últimos" e até os hiperactivos amadurecem e Barlow não é excepção. Se alguém duvidar, ouça, com atenção, aquele que é oficialmente (sim, porque oficiosamente não o será... a diferença é que neste ele dá o nome à etiqueta) o seu álbum de estreia a solo: Emoh (anagrama diametralmente invertido de Home). É uma colecção de pérolas. Melhor: sem quebrar com a tradição "sebadohiana", Barlow recusa a limpidez exacta das coisas, preferindo antes a mágoa perfeita dos sons sublimes, das sequências que arrepiam e das palavras dolorosas (ouça-se Royalty ou Mary, letras deliciosas e ásperas). Barlow vai até mais longe neste seu Emoh: consegue transformar uma das piores músicas da história do hard-rock (Round-n-Round, dos The Ratt) numa faixa soberba, de ouvir vezes sem conta, em repeat mode. Acrescente-se que a sua voz atinge em Emoh o pico de forma. Está limpa, segura, ainda mais afinada, amadurecida e, sobretudo, bem cuidada ao nível da produção e da equalização do todo, sobressaindo, sem exuberâncias mas com brilho e sobriedade, de todo o emaranhado sonoro.

Porquê desejar Barlow?! Não vos parece óbvio?...

Could I hold on, or should I hold on to you? Ask, I'll tell de truth, there's nothing I should hide...

Lou Barlow, ao vivo, 11 de Novembro, Galeria Zé dos Bois, Bairro Alto - Lisboa. 7,50€ entrada.
 
terça-feira, novembro 08, 2005
  Canções de Outono
O Outono faz-me ficar romântico. E isso dá-me vontade de escrever poemas. Ontem decidi escrever este. Já estou a fazer música para ele, uma vez que é musical, tem boa métrica, lirismo e profundeza no significado. Aí vai:

O amor é um cena porreirinha

O amor é bom
dá alegria e nervoso miudinho
quando chegamos tarde a casa, ao quentinho,
cheios de marcas de baton
no zezinho

o amor é fixe
pois até permite fazer um filho
mas às vezes dá sarilho
como daquela vez ao pé de Peniche
no meio de um campo de milho

amor, amor, amor
eu gosto tanto de ti
faz-me um sexual favor
eu dou-te uma romântica flor
amor, amor, amor
eu gosto tanto de ti

afinal não era Peniche
foi ao pé da Lourinhã
eu, a Nini, duas primas, e sua escultural irmã
de roda de um calhau de haxixe
na maluqueira até de manhã

apanhei doenças esquisitas
daquelas com bactérias sexuais
e, por mim, apanharia muitas mais
pois vocês são tão bonitas
hei-de agradecer aos vossos pais

amor, amor, amor
eu gosto tanto de ti
faz-me um sexual favor
eu dou-te uma romântica flor
amor, amor, amor
eu gosto tanto de ti
 
segunda-feira, novembro 07, 2005
  Proslóquio (com nuances) sobre o Trianom
Os artistas - e até mesmo as pessoas mortais - têm os seus rituais. Não é surpresa para ninguém o que aqui digo. E rituais há-os mais simples e comedidos - ir ao Colombo ao domingo à tarde, ver as novelas da TVI, ler o 24 Horas, andar de FIAT Punto em 2ª mão no IC19, levar os filhos a comer Hépi-míes ao McDonald's do Rossio... - e depois também os há sofisticados, aqueles que condizem com a aristocracia própria de um espírito superior, inspirado, luminoso e repleto de bom-gosto - ir à foz do Minho e observar o Penedo de La Guardia, comer crepes em Moledo de frente para o mar revolto, com a Ínsua como pano de fundo, beber uma cervejinha no Garboil, na Rua Direita, ao som de um Hendrix ou de uns Led Zeppelin (também lá há músicas modernaças: Franz Ferdinand, The Strokes, White Stripes, etc.; o que não há é música chunga, isso não!), regressar de comboio e, antes do transbordo em Campanhã para entrar na Classe Conforto do Alfa para Lisboa, sair da estação portuense, atravessar a rua e ir ao Trianom comer um croissant misto e beber um café. Isto é um ritual apropriado a um artista. Ou isto ou a boémia decadente pelas ruas de Alfama. Mas, como isto é uma passagem autobiográfica e eu este fim-de-semana não estive em Alfama, estive em Caminha, vou falar-vos do tal ritual do Trianom.

O Trianom é uma pastelaria que não tem nada de especial a não ser a situação geográfica (sai-se da estação de Campanhã, atravessa-se a passadeira, tropeça-se no degrau e pronto, bem-vindo ao Trianom) e um nome cool que dá uma onda assim... tipo enigmática de cenas dos gregos e isso. "Trianom", escrevo eu, e vocês logo "chiça... deve ser um poiso de intelectuais ou assim". Não, podem desenganar-se à vontade. Ou, melhor, não é propriamente um Majestic. Ainda assim, quando ali entro confesso que o estabelecimento ganha o seu quê de glamour artístico-intelecto-cultural.

Eu gosto de parar no Trianom antes de embarcar no regresso a Lisboa. Gosto de entrar e ver aquele senhor opulento, de óculos fundos, bigode desarranjado, chegar-se à minha mesa e dizer "então, jovem, o que vai ser hoje?". Primeiro porque neste sítio ainda me é permitido o anonimato - ok, a graduação dos óculos do senhor indicia alguma incompatibilidade do mesmo com o universo visual comum. No entanto, é bom entrar num sítio e ser abordado assim, "o jovem", com delicadeza e bom português - isto, em vez do habitual e irritante "Guitarrista, Guitarrista, vá lá, dá-me um autógrafo e um beijinho", das crianças, ou os mais arrojados "Guitinhas, põe-me de gatas" das suas avós. Ali, não: existe o direito à minha vida privada e, em simultâneo, existe um respeito espontâneo de ser humano para ser humano. E isso agrada-me.

Para além disto, são raros os sítios a 300 quilómetros de casa onde nos perguntam "então, o jovem o que vai querer HOJE?". É tratamento digno de cliente habitual. De início, julguei que me confundisse até com alguém igualmente bem-parecido, educado, charmoso e de voz bem colocada que costumasse frequentar o café. Mas não. Hoje tive a prova. Terminava eu o acto de pagamento quando o senhor se virou para mim e desejou afavelmente "faça uma boa viagem". Isto é de bom observador - eu não utilizo malas de viagem; transporto-me apenas com uma mochila, que podia ser de viagem como poderia ser para ir para a Secundária ou para o treino futebol. Em seguida, questionou-me: "é de Lisboa, não é?" e eu disse que sim - mais uma vez, boa observação (por motivos meio difusos, a minha pronúncia é, neste momento, uma espécie de cocktail entre saloio, lisboeta, alfamês e portuense/minhoto, sendo que este último ingrediente assume preocupante preponderância na salganhada). "Veio apanhar os ares do Porto?", continuou. "Não. Venho de Caminha. Mas, como paro no Porto..." "ah... boa escolha, Caminha. Pois, faça boa viagem e até à próxima". E foi neste singelo episódio que vim a pensar durante toda a viagem rumo ao sul, sempre que me fartava de folhear a Maxmen...
 
sexta-feira, novembro 04, 2005
  Pensamento do dia
"Sou tão carnal e imperfeito
amo e cultivo o defeito
há sempre um vício por explorar"


(D.A., Feromona)
 
quinta-feira, novembro 03, 2005
  Estou arrepiado!
A sério, é medonho! Onde é que a RTP foi desencantar aquele esboço esganiçado e histérico de apresentadora para acompanhar as estrelas que passam na passadeira MTV? Onde? O que é que se passa com a televisão? Não bastava ter lá o Pedro Miguel Ramos? Onde é que isto vai parar? Qualquer dia temos a Shakira entrevistada em directo no Jornal da Noite? Ai isto é assim?
 
  Pelos destroços da noite anterior
Tudo vem da música. É a música que nos faz mexer. Seja num jogo de snooker com armas secretas, ao ritmo de um kizomba manhoso - depois admiram-se que eu perca os jogos... -, seja a um balcão elegante, ao som do jazz, a beber "bebidas com duas bolinhas" (ginja) e a comer "azeitonas marroquinas" (errrr... ginja).

A forma como a música chega até nós também importa e condiciona toda a maneira de senti-la e de nos emocionarmos com ela. Uma música contemporânea, limpinha e banal que passa no auto-rádio é diferente de um álbum da colecção pessoal, escolhido ao fim da tarde de chuva - escolho o Emoh, do Lou Barlow, que muita e boa companhia me tem feito ultimamente (um dia destes, escrevo sobre o Emoh e sobre o Barlow) -, enquanto comemos castanha de cajú e tentamos perceber como é que se acumulou tanta loiça suja um pouco por toda a cozinha (ele há coisas...). E esta audição é substancialmente diferente daquela que nos surpreende, por exemplo, quando entramos num bar que desconhecemos, num sítio que desconhecemos, cheio de gente que desconhecemos e começa a passar uma música daquelas que faz parte da nossa colecção pessoal. Então, prestamos muito mais atenção àquela faixa que, de tão familiar, já nos passaria despercebida numa audição caseira. Porém, neste bar do desconhecido, a música ganha a força e a vitalidade das primeiras audições e somos capazes de nos alhear de tudo o que está à volta só para a ouvir bem. Por mais que lhe saibamos todas as curvas e dinâmicas.

Agora, diferente mesmo - especial, diria - é ouvir qualquer coisa de irreconhecível, praticamente indecifrável, debitada pelos primórdios da tecnologia. Um gramofone ao fim da noite, um prodígio do bom gosto e do engenho, cantando uma música sem etiqueta a velocidades variáveis. É preciso é dar à manivela.
 
A música vista por dentro. A vida tocada em guitarradas ruidosas. Cuidado com o feedback.

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