Querida Guitarra
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
  Esclarecimento importante
Porque todo o erro exige correcção.

Lamentável e repetidamente, a cantiga Durmo Com Pedras na Cama tem sido atribuída a Madison Lucia. Está errado. A Madison é intérprete, isso sim, do tema Tu e Eu, tal como consta da ficha anexa para votação. Durmo Com Pedras na Cama é da responsabilidade da incomparável Natalie Insoandé (mais um nome bem português). Para compensar o erro e apresentar as minhas humildes desculpas, reproduzo, sem pudor nem autorização, a letra da canção que a Natalie cantará no Festival da RTP. Garanto que não fiz qualquer alteração pateta para tornar a letra risível. Isto é a letra tal como ela foi escrita pelo insondável talento de António Avelar Pinho. A tradução para crioulo também não é da minha responsabilidade. Com muita pena minha.



"Mi m'gustava ser cantora e d'conhecer Mantôra. Éhhhh, rimou!", desabafa Natalie à sua maneira singela

DURMO COM PEDRAS NA CAMA
Letra: António Avelar Pinho
Música: Luís Oliveira
Intérprete: Natalie Insoandé

Amanhã, se eu quiser, serei tua mulher,
Mesmo se eu não souber quem tu és.
Amanhã, ou depois, vou contar até dois,
Nossos dois corações ou talvez
Duas almas inquietas,
Duas vidas incertas
À procura de alguém.

Sou eu, sou assim,
Sou de carne ruim,
Se alguém chama por mim
Não me importa quem chama.
Sou eu, sou assim,
Sou de carne ruim,
Faço da noite um festim,
Durmo com pedras na cama.

Amanhã, se eu chorar, tu não vás nem tentar
Sequer adivinhar quem eu sou.
Amanhã, sei lá eu se é um inferno ou um céu,
Sei que tudo o que é meu eu te dou.
Somos portas abertas,
Duas ruas desertas
Sempre à espera de alguém.

Sou eu, sou assim,
(Ami i assim)
Sou de carne ruim,
(Di carne ruim)
Se alguém chama por mim
(Si alguim chaman, pa mim)
Não me importa quem chama.
(I ka importa kim chaman)
Sou eu, sou assim,
(Ami i assim)
Sou de carne ruim,
(Di carne ruim)
Faço da noite um festim,
(Noiti pa mi i um festim)
Durmo com pedras na cama.
(Durmo com pedras na cama)

Repete o Refrão.

 
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
  Quoting
"I want to be a recognised performer... purely on talent and not being a manufactured one."

(Madison Lucia, intérprete de Durmo Com Pedras na Cama, in www.madisonlucia.com)


Madison Lucia e o seu ritual diário: a ida ao cemitério
 
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
  A vossa atenção, por favor
Foi colocada uma coluna com os títulos das canções e respectivos intérpretes do próximo Festival RTP da Canção. Visto que o dito festival se realiza a 11 de Março e que a qualidade das interpretações se antevê demasiado reles para que venha a merecer a atenção de qualquer leitor deste blog, aconselho que se proceda à votação nas canções ANTES QUE OS ARTISTAS SUBAM AO PALCO. O vencedor desta sondagem Free Polls para a Querida Guitarra, Público e Antena 1 terá direito (ou como castigo, dependendo da perspectiva) a representar Portugal no Eurofestival. Que ainda por cima se realiza na Grécia. Não está mal visto, não senhor. Portanto, meus amigos, tendes até dia 10 de MARÇO para eleger o título e o artista que mais profundamente vos toquem a sensibilidade romântica e o espírito libertino (ok, ok... ignorem esta parte; era eu a puxar para votarem no Durmo Com Pedras na Cama...). Já sabem: se querem votar, esqueçam essa treta da "consciência" e a outra dos "critérios". Mais se acrescenta que, no maior respeito pelas normas e pelo funcionamento da Querida Guitarra, podem votar AS VEZES QUE VOS APETECER durante TODAS AS 24 HORAS DO DIA. Para que não haja empates, claro está. A justiça a mim não me preocupra. O que me arrelia são os impasses.
 
terça-feira, fevereiro 21, 2006
  Que saudades da Madalena Iglesias...
Ninguém me convence que um rapaz chamado Bruno Nicolau ou um grupelho intitulado Non Stop são dignos das funções que irão desempenhar no próximo dia 10 de Março. Nem a outra, a Lara Afonso ou a Vânia Oliveira, mais a Natalie Insoandé ou a Madison Lucia. Muito menos o asqueroso do Beto, a indefinível Cuca, o menos que anónimo Ricardo Moraes ou a imaginativa Mariafolia. Não me convencem mesmo.

Não sabem do que falo? Pois, quem haveria de saber?... Já lá vai o tempo em que estas coisas eram rituais quase sagrados de maratona televisiva, ansiedade pelas votações e comentários em família, em serões animados. Infelizmente, nos tempos em que tinha alguma importância, eu ainda não tinha idade para beber a cerveja nem fumar a droga. Agora tenho, mas o festival RTP da canção já há muito perdeu a piada e o valor - desde que a Dora, a Nucha e os Da Vinci começaram a pôr os pés em palcos que outrora haviam servido as Doce, o Carlos Paião, a Tonicha e outros grandes vultos das músicas ligeira e popular portuguesa, para ser mais preciso. Salvou-se - o termo é gerado pela bondade e pela falta de outras escolhas dignas de menção - a participação singela e trabalhada com um mínimo de esforço - um esforço para além do "aqui, no refrão, diz-se uma expressão que pegue" e meia-dúzia de coreografias duvidosas (qual duvidosas? De maus gosto mesmo!), por entre clichés, banalidades e outras peculiaridades em que a Rosa Lobato DE Faria é autêntica guru - falava eu em tom de quase-elogio da participação rara num passado recente de Lúcia Moniz pelas andanças cançoneteiras patrocinadas pela televisão estatal. Tudo bem, a Rita Guerra merece algum tempo de antena. Mas podia ficar calada e simplesmente mostrar as pernas e as mamas. Cantar para quê?

Louve-se, por um lado, a iniciativa da RTP: a recuperação do "festival" tem o seu quê de serviço público. Devolve um mínimo de credibilidade ao representante português no Eurofestival, que ultimamente tem sido escolhido e colocado por "alguém", um misterioso "alguém", que, seguindo critérios igualmente misteriosos, aponta para um monte de criaturas que gostavam de ganhar os Ídolos ou a Operação Triunfo - e actuar, durante a vida inteira, em palcos das aldeias recônditas onde (julgam que) são venerados - e diz "tu aí, anda fazer má figura para a Europa ver". E o imberbe ou a adolescente com pretensões a actriz nos Morangos com Açúcar, para além das mencionadas tournées pelo vasto interior Tuga, levanta-se e, sorridente, dá um passo em frente. A seguir dá entrevistas à TV Mais, à TV Guia e à TV 7 Dias. É então que ficamos a saber que os pais eram "humildess", que largou os estudos no 10º ano para enveredar por uma carreira no mundo da música, blá blá bla e que não se importava de pousar nua "desde que fosse artístico". Tuga-typical. Anos mais tarde, quando ninguém se lembrar da figura, há-de participar numa Quinta das Celebridades, ou algo que lhe valha, a convite da Endemol (que, ainda mais tarde, irá explorar os dividendos obtidos pela promoção da pessoa em questão. Tudo tem um preço na vida.).

Já estou a divagar. Louvava eu a recuperação do "festival". Porém, não compreendo como se pode ser tão incoerente: que raio de critérios justificam a escolha DESTES participantes? Acham que sou pretensioso? Arrogante? Humpf... ok, aqui ficam os títulos das músicas a concurso: Um Dia Durei (coelhinho da Duracel?), Alma Nova (inovador...), Tu e Eu (gosto especialmente deste), Bem Mais Além (lindo!), Nunca Mais Digas Adeus (o Toy não fez já uma coisa assim no género?), Sei Quem Sou (o Paulo de Carvalho não vai gostar disto), Durmo Com Pedras na Cama (também eu... tem dias), Vem Dançar (Chiquita?! Voltaste?!), O Amor é Uma Fonte (...creepy...) e As Minhas Guitarras (que é sobre mim, seguramente).

Posto isto, eu pergunto-ma: onde andam uns Trio Odemira? E o Nel Monteiro, hein? Que é feito? Querem ver que desde que o Dino Meira, deus o tenha, se foi, nunca mais houve música de jeito em Portugal? Hã? Mas afinal quem é essa Madison Lucia para já aparecer na televisão? Tenho para mim que isto é tudo uma grande aldrabice! Como disse aquela senhora, "isto é um Timor-Leste autêntico"!
 
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
  O amor deve vir dos ouvidos
Quer dizer, eu não sei meeeeeeeeesmo ao certo de onde é que vem o amor. Mas, por exemplo, quando as pessoas têm um ataque de amor à primeira vista, é provável que o tal amor venha - tal como o nome indica - da vista. Mas isto, posto desta maneira, é capaz de não fazer muito sentido. Por exemplo, se uma pessoa se apaixona por algo que ouve, então o tal amor deve vir dos ouvidos, certo? Quer dizer, falando do amor à primeira vista - embora, no caso do amor auditivo, esta expressão se torne meio desajustada. Chamemos-lhe "amor às primeiras". Tanto pode ser "às vistas", "aos ouvidos" ou, em situações mais liberais, "aos toques". Numa situação romântica, pode ser "aos perfumes" - numa situação romântica numa casa okupada pode ser "aos odores".

Agora, isto não é a revista Maria, com todo o respeito que tenho por essa publicação. Isto é o Querida Guitarra. Não se trata aqui do "amor" e isso. Aqui fala-se de amor, mas é amor tipo... aquelas paixões, que vêm em flashes musicais quando ouvimos qualquer coisa que nos faz ficar meio zonzos, como quando estamos apaixonados. E faz-nos querer chegar a casa só para meter o CD a rodar e ouvir aquela determinada faixa e fumamos 5 ou 6 cigarros e ouvimos aquilo 10 ou 12 vezes, como zombies sorridentes, até que a fome nos desperta para a realidade e decidimos tornar-nos úteis. Então, levantamo-nos, hesitamos, ouvimos "só uma última vez e pronto".

Isto a mim faz-me pensar que o amor, no fundo, vem é da ignorância. Eu sou um bocado ignorante - naquele bocado relativo às coisas que existem e que eu desconheço. É um mal geral, não é só meu.

Uma coisa que eu ignorava era esta frase I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb, / But I'm good at being uncomfortable, so / I can't stop changing all the time. A minha ignorância fez-me apaixonar pelo que só agora conheci e a minha paixão fez-me ouvir repetidamente, over and over and over and over again, como se tivesse novamente 12 anos e ouvisse, pela primeira vez, os acordes iniciais do Smells Like Teen Spirit. Só que aqui é em calmo, belo, espirituoso e gracioso o que naquele tempo e naquele caso era revoltado, enérgico, agitado e angustiado - dores de crescimento, por certo.



Eu não sei o que se passava com o mundo, que me deixava andar distraído, ou com a própria Fiona Apple, que nunca me tinha chamado devidamente a atenção. Só sei que, de há dois dias para cá, só penso em chegar a casa e ouvir aquele refrão que me derrete Be kind to me, or treat me mean /I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine, naquela voz afinada e rouca, terna e atrevida, uma voz de provocação, jovialidade e café quente. Depois admiram-se que eu ande sorridente... claro que ando, estou apaixonado!
 
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
  Corrijam-me
se eu estiver errado.

Voltando à polémica dos "cartoons do demónio" - este assunto, envolvendo a liberdade de expressão, é-me particularmente caro -, há uma voz que estranhamente se tem mantido silenciosa. A não ser que eu ande distraído, daí o pedido de correcção. Falo precisamente da voz cívica e lírica de Manuel Alegre. Alguém o calou?
 
  Pensamento do dia
"Às vezes, tocar guitarra é só o princípio do fim. Outras vezes não. Mas as vezes que importam, desta vez, são aquelas de que eu estava a falar ao pincípio. O tal princípio do fim. Não vale a pena estar a confundir tudo. Só consigo falar de uma coisa de cada vez, ok? E não vale a pena pergutarem-me por que raio eu tive este pensamento do dia. A vida é assim: às vezes dá pensamentos, outras vezes não. Mas as vezes que contam agora são as vezes em que dá."

(Guitarrista Famoso)
 
terça-feira, fevereiro 14, 2006
  Nota breve
Numa altura em que vários assuntos preenchem os espaços de discussão e reflexão, acrescenta-se na Querida Guitarra um novo link (em Músicas Novas) com o perfil indicado para a circunstância. Visitem-no, não darão o vosso tempo por mal empregue.
 
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
  Excepção justificada
Desculpem, mas este comentário merece outra visibilidade, fora da caixa de comentários. É da Brigitte Bardot e reza assim:

"Acho extremamente audacioso ler "a Bola" enquanto se faz um broche. Seja o Belmiro de Azevedo ou outro qualquer. Mas não deixa de ser uma ideia curiosa.

Em relação aos cartoons, todo o caso já ultrapassou há muito o que está representado nos desenhos e
quase ninguem reparou na altura porque são inofensivos.
Nesta altura do campeonato, entre a sede de notícias que vendam, por parte de alguns media ocidentais e não só, e a necessidade de razões para incitar mais uma intifada, por parte de uma série de gente "religiosa" com outras intenções que pouco têm a ver com fé, a coisa chegou onde chegou.
E pelo andar da carruagem irá ainda longe porque dá jeito.

Isto é uma maravilha para manter os fácilmente influenciáveis em polvorosa.
Tanto a cretinagem do Ocidente cujo coração aperta por causa dos terríveis "muçulmanos" e que não deixa de ver as notícias babando-se em frente à televisão para depois permitir os seus governos conduzirem a política de negócios estrangeiros a bel-prazer.
Como alguns pobres coitados, com vidas miseráveis, em países devastados muito à custa de guerras recorrentes , geralmente com interesses ocidentais por trás, a quem claro agrada partir a loiça toda se, ainda pra mais, for em nome de Alá e com o aval do seu Imã.

Mesmo que o governo Dinamarquês mandasse hoje executar os cartoonistas a ira não ia acalmar .

Tive a sorte de viver com ou conviver bastante com muçulmanos libaneses, palestinianos, jordanos, sirios, marroquinos e do Bangladesh. A sua religião não prega os comportamentos que temos visto. SÓ conheci boa gente.

Nem a liberdade de expressão nem o islão deviam ser trazidos para o assunto porque o assunto no fundo nada tem a ver com nenhuma dessas coisas.
E que se foda o políticamente correcto."
 
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
  Coisas que me chateiam
Eu não costumo falar destas coisas, mas ando um bocado aborrecido. Primeiro é a história dos cartoons e dos muçulmanos que querem decapitar tudo quanto seja dinamarquês. Realmente, é estranho que se caricature Maomé com uma bomba na cabeça, a fazer de turbante. Onde raio terão ido os caricaturistas buscar essa ideia malvada? Mas também ninguém me tira da cabeça que toda esta situação resulta de uma certa ingenuidade (ganância?) dos média ocidentais: fizeram publicidade gratuita a um assunto sem importância, servindo os interesses dos propagandistas manipuladores de massas (não, não estou a falar do pessoal do Chapitô) fundamentalistas islâmicos. O que deveria ter sido uma tempestade num copo de água transformou-se num furacão numa piscina. Esperemos que fique por aqui. E esperemos que esta hesitação de estados e instituições europeias, juntamente com os seus lamentáveis pedidos de desculpas, não resulte também nalguma espécie de limitação legislada à liberdade de expressão.

Depois há outra coisa: O Segredo de Brockeback Mountain. Por mim, tudo bem. Querem fazer filmes com caubóis marquinhas aos beijinhos, força aí. Agora, não me enfiem o filme pelos olhos dentro - aliás, neste contexto, nem sei se a expressão é a mais indicada. Todos os dias eu leio que o filme é sublime, que é delicado, que é terno, que é sensível, que é bom para as donas de casa deprimidas, para quarentões que ainda não saíram do armário, que é um bálsamo para as artroses, que os actores são fofinhos, blá blá blá blá e que é um grande sucesso, mesmo entre as correntes mais conservadoras. Caríssimos: com quantidades gigantescas de publicidade gratuita e apologias em catadupa de filmes com veados a cavalo, surpresa era se ninguém fosse espreitar a obra. É a mesma coisa que o Crime do Padre Amaro: ora, se põem a Soraia Chaves de maminhas à mostra na treila da promoção, queriam o quê? Salas vazias? Isto é tudo uma conspiração da ILGA!


Aquele padre Amaro é um criminoso!, sussurrou Soraia ao ouvido do Guitarrista.
 
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
  Chamada de atenção!!!
Isto é mais para as miúdas...

Reparem que tenho uma nova foto ali na lombada direita. É recente e colorida. Naquele dia eu estava com uma cor esquisita...
 
terça-feira, fevereiro 07, 2006
  Soundcheck
O soundcheck estava agendado para as 3 da tarde. Curiosamente, o meu despertador estava programado para as 3 e meia. O atraso não seria demasiado grande. Além disso, quem tem roadies tem quase tudo e eu só trabalhava com gente da minha confiança. Foi em Braga que isto tudo aconteceu.
O concerto não ia ser nada de muito excitante - organizado pela Câmara local, era uma coisa a puxar ao popularucho. Íamos tocar para o povinho, na sua globalidade: não havia cá bilheteiras nem cartazes de apoio do clube de fãs. Não havia qualquer tipo de triagem a priori. A gente chegaria e ficaria de olho atento e sobrolho erguido numa desconfiança de quem não conhece os macacos em cima do palco. A maior parte da gente, pelo menos. Por mim, tudo bem. Desde que pagassem - e pagaram -, tocava nem fosse num jardim de infância.
Três e meia e o despertador tocou.
O hotel não entusiasmava por aí além. Um Íbis banal cujas traseiras ou a lateral ou lá o que era dava para um largo, em obras (entretanto, acho que construíram lá um centro comercial), no centro da cidade. A localização era boa: ali perto tínhamos o Deslize, onde os Mão Morta se emborrachavam forte e feio e tocavam acordes e debitavam poesia pela canibal do Adolfo Luxúria. Também ali perto existia o Popolum, uma discoteca muito na berra, à altura, com motivos góticos bem esgalhados e universitárias bem dispostas, especialmente depois de umas tequillas ao balcão. Ninguém me conhecia.
Duche matinal, longo, retemperador, curador de ressacas. Só depois do duche reparei que não dormira sozinho. "Como é que vocês se chamam?" Ensonadas, não responderam e apressaram-se cobrir-se com o lençol. "Estão com vergonha?" Não responderam. Mas também não baixaram o lençol. "Vistam-se e vão para casa, vá". "Só uma coisa... vocês já têm idade para isto?" Não responderam, saíram à pressa. Mas se há coisa que eu não quero é problemas com a justiça. De qualquer modo, mesmo que não tivessem idade, tinham pelo menos experiência, isso deu para ver. Havia de servir de atenuante, caso a coisa corresse mal.
Pelo sim, pelo não, meio-litro de Coca-Cola com muito gelo. A seguir, ainda mais pelo sim, pelo não, dois copinhos de Wiborowa straight. Ligam-me da recepção "sr. Famoso, temos um recado para si". Aparentemente, deram pela minha falta. Vesti-me e fui, a pé, até ao local - era mesmo na praça principal (como é que se chama a praça principal de Braga? A memória já não é o que era...). Uma de skunk para o caminho.
"Ó Guitarrista, foda-se!..." "Bom dia também para ti". Passaram-me a guitarra. "Esta merda 'tá desafinada". "Atão afina..." "Mas pagam-te para quê?" A conversa ficou por ali. Não me apetecia chatear com ninguém. Além disso gosto de olhar o meu interlocutor nos olhos. E esse não era um dia em que eu conseguisse sequer tirar os óculos de sol. Estava tudo de mau humor. "Fizessem como eu, fossem descontrair ontem à noite..." Olharam-me de lado num gesto concertado. Afinei a guitarra, fiz o meu som e recolhi-me numa pastelaria ali por perto. Enquanto o pessoal das luzes ensaiava os primeiros movimentos, eu bebia Super Bock - será que acima do Mondego não se vende Sagres? O dia não me estava a correr bem.
"Guitarrista Famoso?!" "Yá. Se bem me lembro, e se não estou suficientemente confuso, sim, acho que sim, é isso..." Finalmente, alguém que me reconhece, uma fã... "Boa tarde, o meu nome é Sílvia... Tínhamos combinado uma entrevista, para o JN, lembra-se? Andei à sua procura a tarde toda..." No norte, as minhas fãs são tão raras como os estabelecimentos que vendem Sagres.
 
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
  Pensamento do dia
"A Arte, para ser verdadeira, não pode ser honesta."

(Guitarrista Famoso)
 
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
  Letra para música nova - em composição
Será seguramente mais um hit-single a juntar à minha vasta galeria hites-singles. Abandonei a temática do Amor e fiz uma incursão pelas neurociências e derivados. Neste caso é a Psicologia - curiosamente, o título da letra. Cá vai:

PSICOLOGIA

(Refrão)
Psicologia,
factor de stress.
Esquizofrenia é uma mania,
dá em gente com um ego que aborrece.
E há tanta coisa que enlouquece.

Tens uma vida normal
mas pressentes que afinal
as coisas todas são esquisitas
este mundo é um buraco de animal
sentes-te mal e hesitas

pedes ajuda a alguém
se houver remédios também
não dizes não
já viste o procedimento todo na televisão
Diz Freud "a culpa é da mãe"

Pagas para desabafar
coisas que andas a pensar
sobre o futuro e o passado mal passado
que te está a atormentar
Man, andas a descompensar

(Refrão)
Psicologia,
factor de stress.
Esquizofrenia é uma mania,
dá em gente com um ego que aborrece.
E há tanta coisa que enlouquece.

isto são coisas tão fáceis
são só doenças portáteis
que arrepanham as cabeças mais modernas
em alturas mais voláteis
sentes-te só e hibernas

vais de consulta em consulta
mas nada disto resulta
e então aderes a outras modas mais em voga
que convertem gente culta
juntas-te ao culto do yoga

achas que é seca e assim
as aulas não têm fim
e com o tempo essa doença da cabeça
vai ficando mais ruim
queres um Prozac e depressa

(Refrão)
Psicologia,
factor de stress.
Esquizofrenia é uma mania,
dá em gente com um ego que aborrece.
E há tanta coisa que enlouquece.
 
A música vista por dentro. A vida tocada em guitarradas ruidosas. Cuidado com o feedback.

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