A vida não é só tristezas
Isto, uma pessoa não pode ficar a vida toda a pensar nas coisas tristes. O mundo anda cheio de coisas boas. Especialmente porque está um calor bravo e as pessoas tendem as desmascarar-se de invernices, expondo com mais à-vontade determinados assuntos. E também há os caracóis e as imperiais, naquela esplanda ali na Tomás Ribeiro, onde vou rumar já de seguida, assim que acabar o post. Tudo isto só para dizer uma coisa simples: sosseguem os que se apoquentaram. Com tanta coisa positiva que há no mundo, o
Guitarrista não podia ficar quietinho. A anhar, como agora se diz muito.
(Esta mulher tem muita pinta.)Olhem, uma coisa muito fixe foi um concerto que fui ver, sábado à noite, a convite do
Sr. Funda: a Anamar e seus rapazes, ao vivo, no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.
Transfado é o título perfeito para o trabalho apresentado - uma linguagem musical transversal, do tango ao flamenco, passando pela coladera ou até, imagine-se!, pelos aromas jamaicanos (aromas musicais, entenda-se; ali é proibido fumar, até diz no bilhete), tendo como ponto de partida (ou de chegada) o fado. Anamar é uma mulher inteira, mexida, vivaça. Um convite ao pecado. Se tivesse menos quinze anos e fosse solteira, não sei se não tentava a minha sorte. Autêntica diva de cabaret, com gestos de Dietrich, voz de Piaf e cigania no sangue, Anamar fez por merecer os aplausos de pé no final de uma noite que ainda ia no começo. Agradeço ao Sr. Funda o generoso e bem oportuno convite. Como vêem, não se deve ficar muito tempo a pensar no lado negro da vida. Há que encarar o futuro de forma positiva, com fé, esperança e vigor. Porque a vida vale a pena.
(Se Dietrich fosse viva, de certeza que teria gostado de ver a Anamar. Eu gostei.)
(A voz de Anamar faria lembrar a de Edith Piaf, se esta ainda cantasse.)